Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro

Somos um movimento de organizações da sociedade que a partir da identificação, sistematização e mapeamento de experiências procura se articular no estado com o objetivo de fortalecer as iniciativas agroecológicas

21 de setembro – Dia internacional da luta contra as monoculturas de árvores

 

Dia Internacional de Luta contra os Monocultivos de Árvores: Chamado contra a financeirização
Organizações e ativistas de 45 países do mundo alertam hoje, Dia Internacional de Luta contra os Monocultivos de Árvores, numa carta aberta (veja abaixo) por um fenômeno novo: a expansão das monoculturas é cada vez mais estimulada pelo capital financeiro.
Isso faz parte de um processo maior pelo qual, segundo a carta: “os mercados financeiros especulativos têm adquirido cada vez mais poder sobre o resto da economia e da vida.” A carta também constata que: “Surge a Economia Verde, estimulada pela ONU e racionalizada pela alegação de que a única forma de garantir que a natureza seja preservada é lhe atribuir um preço.”
E continua: “Preservar a natureza se torna um negócio, restringindo o acesso de comunidades locais a zonas e bens que são essenciais à sua sobrevivência. Os projetos de REDD e proto-REDD são um exemplo claro”.
Acrescentando que “Em muitos casos, os mesmos atores estão especulando com o ‘negócio da natureza’ e enriquecendo com sua destruição. Ao mesmo tempo em que explora ‘serviços ambientais’, o capital financeiro também continua expandindo seus interesses em atividades destrutivas. Por exemplo, é cada vez mais comum que fundos de pensão ou de investimento de países do Norte invistam e especulem em grandes plantações monocultoras de árvores nos países do Sul.”
Segundo Winnie Overbeek, coordenador internacional do Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais (WRM): “Hoje em dia as plantações de monocultivos de árvores que principalmente nos países do Sul têm causado graves problemas sociais e ambientais para populações locais, encontram um novo estimulo com esses investimentos do capital financeiro, especulativo, cujo único interesse é um lucro rápido e fácil. Isso está agravando a concentração de terras e ameaçando a soberania alimentar de populações e regiões inteiras”.
Neste dia, em vários países, esta carta será enviada aos governos nacionais, isso às vésperas da Décima-Primeira Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, que será realizada na Índia, de 1º a 19 de outubro.
As organizações e ativistas exigem que os governos interrompam a expansão das plantações de árvores nos territórios e assumam uma postura firme na Convenção, contra a crescente financeirização da natureza.
O que os povos indígenas costumam chamar de “o sagrado” não pode ter preço; deve ser defendido!
Contato:
Secretariado Internacional del WRM
+598 2413 2989 – wrm@wrm.org.uy
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CARTA ABERTA aos GOVERNOS NACIONAIS em função do dia 21 de setembro,
Dia Internacional de Luta Contra os Monocultivos de Árvores.
A humanidade enfrenta uma crise ambiental, econômica e climática que representa uma ameaça à sua sobrevivência. A destruição dos ecossistemas coloca em risco não apenas comunidades que dependem diretamente deles, mas também o planeta como um todo. Os centros de poder não têm questionado os imperativos de produção e consumo que são responsáveis por essa situação. Em vez disso, estão promovendo falsas soluções que possibilitam que os mesmos atores que criaram a crise continuem acumulando riqueza enquanto a maioria da população mundial vê seu padrão de vida se deteriorar.
Hoje em dia, assistimos à confluência de dois processos: a incorporação de novos aspectos da vida à economia de mercado e a financeirização da própria economia, incluindo a especulação com novas mercadorias “verdes”.
As sociedades capitalistas sempre se apropriaram da natureza, humana e não humana. Atualmente, está sendo desenvolvida uma série de produtos radicalmente novos para a venda: carbono, biodiversidade, água e assim por diante. Ao mesmo tempo, os mercados financeiros especulativos têm adquirido cada vez mais poder sobre o resto da economia e da vida, em resposta à crise capitalista que começou na década de 1970. Surge a Economia Verde, estimulada pela ONU e racionalizada pela alegação de que a única forma de garantir que a natureza seja preservada é lhe atribuir um preço. Como novos objetos de comércio e especulação, as chamadas mercadorias dos “serviços ambientais” são recrutadas como salvadoras de uma economia que continua centrada na pilhagem e na exploração.
Para atores que enriquecem por meio da financeirização da natureza – bancos, fundos de investimento, fundos de pensão, transnacionais – a Economia Verde significa nada mais do que novas oportunidades de negócios. Agindo em sintonia com grandes organizações conservacionistas, apropriam-se de processos da ONU, como as Convenções sobre Mudança Climática e Biodiversidade, usando-os para legitimar suas ações.
Preservar a natureza se torna um negócio, restringindo o acesso de comunidades locais a zonas e bens que são essenciais à sua sobrevivência. Os projetos de REDD e proto-REDD são um exemplo claro, como foi enfatizado em reuniões dos participantes na recente Cúpula Mundial da Rio+20.
Em muitos casos, os mesmos atores estão especulando com o “negócio da natureza” e enriquecendo com sua destruição. Ao mesmo tempo em que explora “serviços ambientais”, o capital financeiro também continua expandindo seus interesses em atividades destrutivas. Por exemplo, é cada vez mais comum que fundos de pensão ou de investimento de países do Norte invistam e especulem em grandes plantações monocultoras de árvores nos países do Sul. Os impactos negativos sobre os ecossistemas, a biodiversidade, as fontes de água e os meios de sobrevivência das comunidades locais têm sido amplamente demonstrados.
Este é um chamamento à unificação de nossas lutas para exigir que os governos deem início a um processo de desmantelamento da especulação e mercantilização da vida, de modo a ajudar a proteger as paisagens e os modos de subsistência da destruição e da desigualdade exacerbadas pela financeirização da vida.
É por isso que, como parte do Dia Internacional de Luta contra os Monocultivos de Árvores, em 21 de setembro, e às vésperas da Décima-Primeira Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, que será realizada na Índia, de 1º a 19 de outubro, estamos lançando esta carta aberta, exigindo que nossos governos interrompam a expansão das plantações de árvores em nossos territórios e assumam uma postura firme na Convenção, contra a crescente financeirização da natureza.
O que os povos indígenas costumam chamar de “o sagrado” não pode ter preço; deve ser defendido!
A cartacom a lista deadesõesestá em: http://wrm.org.uy/plantaciones/21_set/2012/Firmas_a_la_Carta_Abierta.html
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Publicado em 21/09/2012 por em Uncategorized.

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