Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro

Somos um movimento de organizações da sociedade que a partir da identificação, sistematização e mapeamento de experiências procura se articular no estado com o objetivo de fortalecer as iniciativas agroecológicas

Por mais Ambientes de Interação: A Juventude Agroecológica do Ctur

O Colégio Técnico da Universidade Rural sobe à serra e conhece as experiências agroecológicas de São Pedro da Serra e região

Estudantes de Agroecologia do Ctur na área de recomposição florestal em Lumiar

Estudantes de Agroecologia do Ctur na área de recomposição florestal em Lumiar

Entre os dias 2 a 9 de fevereiro de 2015, estudantes do Colégio Técnico da Rural (CTUR), realizaram a I Vivência Interdisciplinar em Agroecologia em parceria com uma diversidade de parceiros locais, entre eles a Articulação de Agroecologia (AARJ). A atividade que, na quinta-feira subiu à serra do Rio de Janeiro, desembarcando no núcleo de São Pedro da Serra e Lumiar, compõe uma série de iniciativas construídas ao longo da disciplina de Introdução à Metodologia Científica e busca possibilitar a formação em agroecologia por meio de estudos sobre territórios nos quais seja possível observar alternativas para a produção agroecológica de alimentos.

Foram mais de 42 estudantes do Ctur, cerca de 20 jovens da região Serrana, estagiários, pesquisadores, educadores e mais de 15 representantes das organizações locais reunidos para a viabilização dos sete dias da Vivência. Na programação, oficinas, debates e espaços de construção coletiva, marcado por um amplo processo preparatório orientado por três eixos pedagógicos principais: Artes, Linguagens e Comunicação; Técnicas Agroecológicas; e, Subjetividades e Relações Sociais. Estes aproximaram os estudantes à algumas dimensões do estudo e da prática em agroecologia.

Ambientes de construção de saberes e práticas agroecológicas

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Estudantes do Ctur em uma das oficinas com bambu

Vivências como essa fazem parte das principais propostas de interação que Projeto “Ambientes de Interação Agroeocológico: Pesquisa, Ensino e Expressões da Agroecologia no Estado do Rio de Janeiro”, realizado pela AARJ e pelo Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão Científica e Tecnológica em Agroecologia da UFRRJ, tem relação. O objetivo deste projeto é fortalecer vínculos e as interações orientadas para a valorização das experiências e resistências agroecológicas existentes nos diferentes territórios do estado. A integração do projeto com a Vivência realizada pelo Ctur vai ao encontro das iniciativas que buscam potencializar e resgatar as ações ligadas ao protagonismo das juventudes, da cidade e do campo, no contexto de atuação da AARJ e dos desafios acumulados no território fluminense.

Como entende-se que não existem caminhos únicos na construção da agroecologia, a vivência representa uma oportunidade não só de contato com outra realidade, mas de avaliação crítica da diversidade de problemas enfrentados pelos agricultores/as no estado. Dessa forma, é fundamental a prática de construção do conhecimento agroecológico nestes ambientes de interação que possibilitam compreender as potencialidades e limites de cada iniciativa.

Aqui, ainda cabe dizer, que a troca de saberes extrapolou os conteúdos apresentados ao longo do desenvolvimento das oficinas e das visitas que compuseram a programação da atividade. Ela se dá, sobretudo, no diálogo para a elaboração dos materiais, na construção das intervenções artísticas, no cuidado com a casa onde se hospeda, no respeito as dinâmicas locais, na escuta atenta de quem por décadas constrói sua vida na agricultura e em tantos outros momentos onde é possível construir novos olhares sobre a realidade.

 

Olhares sobre o território: A Região Serrana do Rio de Janeiro

Vivência nas propriedades dos/as agricultores/as

Vivência nas propriedades dos/as agricultores/as

Seu Lédio, Claudia, Seu André, Jailton, Seu Tuninho, Marjore, Claudio, Maria Luiza, Lia e tantos outros interlocutores locais fizeram parte da extensa rede de parceiros mobilizados para a realização dos três dias vividos na região Serrana do Rio. Iniciativas, resistências e desafios que movimentam as experiências de educação e cultura na região Serrana de Lumiar, São Pedro da Serra e Bom Jardim – os territórios visitados pelos estudantes – foram, além da prática agrícola da região, elementos presentes nos debates, nas atividades culturais e comunitárias construídas em parceria com o Ctur e as organizações locais.

O uso intenso de agrotóxico relacionado também à desmobilização da prática de pousio e as diferentes pressões do órgão ambiental, os saberes relacionados as plantas medicinais em contra-ponto ao sistema de saúde que, trata da saúde e desconsidera o conhecimento das comunidades tradicionais, a ausência de jovens no campo, a fragilidade das escolas rurais, a potencialidade da agricultura consorciada às árvores e à recomposição florestal, além de tantos outros projetos e ações foram apresentados e discutidos ao longo da vivência.

Nesse processo de preparação é fundamental registrar as visitas prévias realizadas pelos educadores e estudantes do Ctur, com objetivo de aproximação, articulação e planejamento das interações possíveis no território para o conjunto de estudantes. Vale destacar ainda o envolvimento de cerca de 20 jovens locais, representantes da juventude local em todos os espaços da Vivência, inclusive na mesa de abertura que iniciou as ações da Vivência e que foi realizada em Seropédica no dia 02 de fevereiro. Este envolvimento, possibilitou o intercâmbio ao longo do processo de planejamento das atividades e o empoderamento efetivo do grupo de jovens que recebeu a turma de agroecologia em sua região.

Para os articuladores locais da Vivência, a atividade teve como objetivo central a troca de saberes e a integração entre jovens da baixada fluminense e a juventude moradores da região Serrana de modo que as potencialidades e desafios do território pudessem ser evidenciados. Como aponta Lia Caldas, da Casa dos Saberes, o intenso trabalho das organizações locais que, receberam o grupo e viabilizaram as atividades, foi motivado pela necessidade de fortalecer as experiências já desenvolvidos na região com a juventude. Segundo ela: “Mais do que uma vivência ou atividade de extensão, o envolvimento das organizações locais se motivou pela troca de saberes e pela necessidade de envolvermos, cada vez mais, a juventude local nas ações que fortaleçam a agricultura familiar”.

 

Renovando as articulações estaduais sobre juventude: cultura e direitos

A integração do Ctur com a AARJ trouxe ainda a participação de jovens e representantes da Região Norte Fluminense (CPT) e da Região Metropolitana (Verdejar Socioambiental), além do envolvimento de representantes de movimentos sociais, como foi a participação do MST na roda de conversa de abertura. Esse diálogo reforçou a potencialidade dessas articulações na retomada das ações de formação política para os jovens construídas, por exemplo, a partir dos Estágios Interdiciplinares de Vivência, os EIVs, e de outras política ligadas diretamente à juventude.

Marjorie do Ponto de Cultura e Diogo Souza do Ctur

Marjorie do Ponto de Cultura e Diogo Souza do Ctur

Marjorie Botelho, do Ponto de Cultura Rural, reforça essa dimensão na chegada à Bom Jardim:“A presença de vocês aqui, representa uma possibilidade de discutirmos as políticas e programas voltados à juventude e a cultura. Os territórios rurais são historicamente desprivilegiados e os/as agricultores invisibilizados, como se os camponeses não tivessem o direito de acessarem, também, os direitos culturais. Não é só um campo de futebol que representa as demandas por lazer e cultura no meio rural. Queremos muito mais”, diz ela indicando que o Sobrado Rural, mantido pelo Ponto de Cultura é uma das únicas bibliotecas da Funarte que não está nas cidades.

O contato com a região trouxe ainda ideias para novas atividades possíveis na formação dos estudantes. Experiências relacionadas as Agroflorestas (Associação de Agricultores de São Pedro da Serra e AARJ), a Recuperação Ambiental (Adnet Florestal e Sítio Terra Romã) e a Cultura e Comunicação (Ponto de Cultura Rural e Oficina Mãos de Luz) bem como outras atividades em parcerias com a Casa dos Saberes, foram algumas das práticas identificadas para a realização de novas vivências e formações.

Outra grande contribuição foi a participação ativa da APA Macaé de Cima, que além de participar de todo o processo de preparação da vivência, ainda acolheu funcionários e educadores do Ctur em sua sede e promoveu uma das diversas oficinas realizadas no dia 06, abordando questões sobre unidades de conversação e legislação ambiental. Assim, como não é possível deixar de registrar o intenso envolvimento dos educadores do Colégio José Martins da Costa que abriram as portas da escola para que as atividades de formação e a alimentação, dos três dias, pudesse ser realizada no colégio.

Vivências com a Juventude: O Projeto Ambientes de Interação Agroecológica

A agroecologia vem demonstrado ser uma alternativa viável e importante para o processo de fortalecimento da identidade camponesa e de suas condições de produção, contribuindo, desta maneira, para garantir a segurança alimentar e a estabilidade de agroecossistemas. A construção destes agroecossistemas com maiores níveis de sustentabilidade exige da agroecologia um modo de fazer ciência, educação e extensão (rural e universitária) diferenciado, pautado em relações de observação, vivência, diálogo e respeito implicando uma triangulação de informações e olhares. Neste sentido, o Projeto Ambientes de Interação Agroecológica e a Vivência Interdisciplinar em Agroecologia do Ctur, coordenada pelo professor Diogo Souza, se mostra como um viés importante na consolidação desses Ambientes de Interação Agroecológicos.

Estudantes do Ctur constroem instalações pedagógicas

Estudantes do Ctur constroem instalações pedagógicas na quadra de São Pedro da Serra

Ao longo do ano de 2015, uma série de atividades estão previstas no calendário da agroecologia. Entre as principais estão as Caravanas Agroecológicas e Culturais realizadas no âmbito do Projeto AARJ/NIA e do Projeto Regional do Sudeste “Comboio Agroeocológico”, além de outras atividades como os cursos, oficinas, seminários e demais ações que culminarão na realização do IV Encontro Estadual de Agroecologia do Rio de Janeiro. Aposta-se, como visto na experiência da Plenária das Juventudes no III ENA, que a participação dos/as jovens do campo e da cidade na construção da agroeocologia é urgente e necessária. Os saberes, os olhares e as aspirações da juventude deve ser dimensão presente e determinante, seja na garantia de vagas específicas para os jovens dos diversos territórios do estado, seja nos processos preparatórios que darão sentido às ações do Projeto.

Para ter acesso a programação da Vivência e a mais fotos da Vivência, acesse a Página no Facebook: Vivência Interdisciplinar Agroecológica

Fotos: Fernanda Olivieri, Lia Caldas, Jessika e demais colaboradores

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Publicado às 10/02/2015 por em Uncategorized e marcado , , .

Fotos da AARJ

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