Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro

Somos um movimento de organizações da sociedade que a partir da identificação, sistematização e mapeamento de experiências procura se articular no estado com o objetivo de fortalecer as iniciativas agroecológicas

Vila Autódromo resiste às remoções lutando também pela agricultura urbana

reuniao rcauA Rede Carioca de Agricultura Urbana realizou na última quinta-feira (05/03) uma reunião de planejamento para o ano de 2015 na Vila Autódromo, na zona oeste do Rio de Janeiro. O objetivo do evento, que também contou com a visitação aos quintais agroecológicos da comunidade, foi fortalecer a luta de resistência dos agricultorese moradores que sofrem com o processo de remoções de suas moradias por conta das obras para as Olimpíadas de 2016. Foi realizado um ato político em frente ao canteiro das obras, onde as mulheres deram simbolicamente bananas à especulação imobiliária e protestaram em defesa dos moradores da comunidade e da agricultura existente na cidade do Rio de Janeiro.

Na abertura das atividades Altair Guimarães, presidente da Associação de Moradores da Vila Autódromo, relatou que a comunidade está passando por um momento difícil, mas a resistência dos 43 dos mais de 500 moradores que moravam no local continua. Conseguimos fazer com que essa comunidade fosse de certa forma respeitada pelo prefeito e o governador, na medida em que a lei orgânica municipal foi garantida com a realocação de alguns moradores para cerca de 1km da comunidade enquanto noutros casos a distância das remoções chegava a 30km.

faixa vila autodromo“A gente teve de ouvir e respeitar os moradores, não posso decidir que todos devem ficar. Mas a gente vai ficar até onde a justiça permitir. Todas as comunidades consideram a Vila Autódromo como símbolo de resistência, desde 1992 lutamos por esse território. As indenizações chegaram a mais de R$ 1 milhão, nunca tinha visto isso com nenhuma comunidade. Não podemos deixar os políticos fazerem isso com a gente, nos articulamos bem e fizemos várias parcerias. A luta continua por fora da associação. Hoje isso acontece aqui e em muitas comunidades, e vai continuar porque o governo quer valorizar os imóveis perto da classe média e não querem pobre perto. O morador tem o direito de escolher, perdemos muita gente que foi para o Morar Carioca. Não sei se a gente vai conseguir resistir, o poder do dinheiro é muito grande. Mas vamos continuar lutando junto a defensoria”, disse.

Três quintais foram visitados na comunidade para mostrar a relação dos moradores com a agroecologia e a identidade do território. Jane do Nascimento, uma das lideranças da Vila Autódromo, mostrou sua plantação que num pequeno terreno consegue integrar várias espécies: abacate, banana, tomate, limão, plantas medicinais, etc. Sua casa será derrubada para construção de uma via, ela mora com sua filha e está tomando diversos remédios por conta do desgaste com todo esse processo de remoção. A prefeitura foi mais de quatro vezes em sua casa, e ela nunca assinou o documento da defesa civil ou deixou os agentes municipais entrarem para medir o imóvel.

silvia aarj“A partir de 2009 as grandes empresas se juntaram às esferas de governo para pensar somente neles. Nisso as comunidades buscam suas alternativas para garantir o direito à saúde, por isso fizemos uma fossa verde aqui. Fizeram um projeto experimental com a Fiocruz há dois anos, e o pessoal da Embrapa veio analisar os frutos. Essa água rega a fossa e depois de tratada é jogado no Rio de novo, e fazemos também a compostagem para adubar o terreno”, disse.

Rede Carioca de AgriculturaUrbana

A Rede se reúne pelo menos quatro vezes por ano para planejar suas atividades, e essa foi a segunda reunião de 2015. Foram incorporados mais dois temas às discussões, integrados aos quatro eixos de trabalho: acesso a mercado, formação, governança e políticas públicas e comunicação. Os temas relacionados as juventudes e mulheres passaram a ser também assuntos estratégicos na Rede, disse Claudemar Mattos, assessor técnico do Programa de Agricultura Urbana da ASPTA e integrante da Rede Carioca de Agricultura Urbana.

protesto rcau“Discutimos todos os temas em grupos de trabalho temáticos, e no dia 08 de abril será apresentado o planejamento de atividades dos grupos  para aperfeiçoar as propostas, buscar sinergias e ações em comum. Esta próxima reunião de planejamento da Rede CAU acontecerá na Serra da Misericórdia, onde atuam o Verdejar Socio Ambiental e o CEM (Centro de Educação Multicultural). O grupo de acesso a mercados debateu o convite da Fiocruz para participar da Feira Josué de Castro, que será inaugurada no dia 12 de março dentro da Friocruz em Manguinhos. Esse tema é estratégico, e será realizado um seminário para fazer um estudo e análise mais completos para buscar melhores formas de participação  das agricultoras e dos agricultores da Rede”, afirmou.

IMG_3915O ato realizado pelas mulheres foi um momento importantíssimo para demonstrar o apoio e indignação da Rede, além de fortalecer os laços com a comunidade, disse Maraci Soares, agricultora de Vargem Grande. “A Rede Carioca de Agricultura Urbana não quer discutir só hortas, canteiros e alimentação. Entendemos que precisamos fortalecer a moradia, se nossas comunidades forem removidas não teremos quintais para desenvolver a agroecologia. A luta pela permanência da Vila Autódromo já dura vinte anos e é preciso acompanhamento efeito. Os moradores estão cansados, adoecidos e sofridos com esse processo. Estamos pensando em ações mais concretas, mas precisamos de parcerias e gestores sociais para traçar algumas estratégias”, afirmou.

Fotos: Arquivo Rede CAU.

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Publicado em 10/03/2015 por em Uncategorized.

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