Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro

Somos um movimento de organizações da sociedade que a partir da identificação, sistematização e mapeamento de experiências procura se articular no estado com o objetivo de fortalecer as iniciativas agroecológicas

SEGUIMOS ESPERANÇANDO: Retrospectiva 2020

GT COMUNICAÇÃO AARJ – Precisamos agir agora, mobilizar companheiros e companheiras para organizar e cada vez mais fortalecer nosso movimento. De maneira organizada conseguimos intensificar a construção de meios coletivos de poder para trazer para a realidade a construção de nossos sonhos coletivos, hoje, e então termos poder para direcionar a própria comunidade a um caminho próspero, de respeito à vida. 

Por Luisa Mushu

2020 foi um ano de muitos desafios, perdas e aprendizados. Entramos em 2021 com a esperança da vacina, e a tristeza de perceber que ainda falta um longo caminho para retomarmos nossa vida presencial. Estamos em um momento no qual precisamos seguir protocolos, estar longe de quem amamos, e impedidos de realizar trabalhos como costumávamos fazer anteriormente. Desde março do ano passado o sentimento de impotência nos assombra diante da realidade pandêmica recheada de tantos retrocessos impostos pelo governo federal

Em nossas vivências nos territórios sempre soubemos da necessidade da prática da agroecologia de forma profunda para sairmos das crises social, ambiental, econômica e política que nos encontramos há um tempo. A força das nossas ações nos locais, bairros, municípios, estados e país promovem ações e mudanças muito significativas. Em 2020, frente à ameaça da pandemia e à negligência do governo, vimos surgir ações populares, coletivas e solidárias em nossas redes e articulações, esse movimento nos fortaleceu reafirmando a potência das ações locais quando articuladas em redes. 

O descaso do governo federal perante a situação alarmante que se encontra o Brasil demonstra a necessidade emergencial de fazermos “nós por nós”. Se dependermos das vontades políticas de nossos governantes, o norte que estamos rumando continuará significando dominação, opressão, descaso e morte. O processo eleitoral cumpre um papel fundamental de definição de uma direção para onde o país irá rumar nos próximos anos. A incidência política é uma estratégia da AARJ que tem se fortalecido cada vez mais ao longo dos anos: em 2020 participamos da campanha da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) “Agroecologia nas Eleições”. Através da construção coletiva articulamos internamente no estado do RJ pautas que culminaram em uma Carta Compromisso de candidatas e candidatos com agroecologia em seus municípios. No total tivemos 12 candidatos e candidatas eleitos e eleitas no RJ comprometidos com a agroecologia, mas um ganho ainda maior dessa campanha foi trazer a agroecologia para a pauta do processo político. 

Percebemos que precisamos fortalecer diferentes modos de poder para a mudança. Se inserir na política municipal, estadual e nacional, ao mesmo tempo que construímos o poder popular, através das ações coletivas em nossos territórios. Uma estratégia fortalece a outra. Precisamos estar organizados para reagir. O senso de agir autonomamente enquanto pessoas que cooperam entre si para seu bem viver, é cotidianamente invisibilizado e sabotado, assim como as nossas vontades, necessidades, capacidades e responsabilidades que, pelo contrário, deveriam ser reconhecidas, estimuladas, trabalhadas e potencializadas através do coletivo. 

Esse movimento de ação e reflexão sobre a realidade dos territórios, buscando soluções acessíveis e que gerem autonomia às pessoas envolvidas é uma das estratégias que a AARJ tem traçado. Proporcionar formações, trocas de saberes, meios materiais, culturais, e organizacionais para continuar caminhando nessa direção, que a nível do estado é uma prioridade.

Precisamos agir agora, mobilizar companheiros e companheiras para organizar e fortalecer nosso movimento. Devemos cada vez mais entender nossa realidade enquanto fruto de relações de poder, falarmos e agirmos sobre isso. O poder vem da nossa força, nosso trabalho,  nossas relações, articulações e o que fazemos com elas, para escolher e construir o que acontece em nossas vidas. Quem mais pode escolher o destino de nossos territórios do que nós mesmos? Nos comunicando, organizando, cooperando, ajudando, planejando e articulando, de formas cada vez mais participativas e abrangentes, construímos o poder e soberania populares. De maneira organizada conseguimos intensificar a construção de meios coletivos de poder para trazer para a realidade a construção de nossos sonhos coletivos, hoje, e então termos poder para direcionar a própria comunidade a um caminho próspero, de respeito à vida. Para isso, precisamos continuar a planejar e executar trabalhos para a própria comunidade, e buscar renda nesse processo, internamente à comunidade. Assim trabalhamos para nós e não para os outros. Modificando dessa forma as relações de trabalho, rumando para essa construção comum.

A Autogestão busca a horizontalidade das relações, as pessoas passam a reconhecer em si e nas outras um poder de criação, troca e autonomia. Nosso trabalho, nossa militância, nossa luta são nossa maior força, nossa unidade por objetivos em comum é a chave para uma mudança profunda no nosso modo de vida coletivo, uma mudança que promova um desenvolvimento sustentável para as pessoas e para os nossos territórios. Autonomia, intencionalidade, organização e cooperação nos levam muito longe. Sabemos o que precisa ser mudado urgentemente, combate à fome, a garantia de habitação, acesso à água de qualidade, o trabalho justo, a cooperação, a valorização do alimento saudável e da agricultura familiar e urbana …

Essa estratégia deve ser pensada de maneira coletiva, múltipla, diversa, ao mesmo tempo que buscando um aspecto através do qual nossas lutas possam ser combinadas, e convergir para a negação do retrocesso e dominação impostos sobre nós, e para a afirmação da vida e bem estar coletivo. Precisamos pouco a pouco permear os ambientes que já estão ocupados de outros tipos de relações e apresentar nossas alternativas, e as motivações, de uma sociedade mais consciente, que cuide de si mesma. Vamos continuar a fazer acontecer a Educação Popular, a Economia Solidária, a Agroecologia, a Autogestão e outras formas de expressão da nossa luta. A partir da colaboração é possível que as relações se tornem mais empáticas, coletivas, interativas, e complementares, rumo a maiores níveis de autonomia das pessoas envolvidas, e entorno. Assim, formam-se coletivos, redes, e comunidades, de relações benéficas, de Economia Solidária, de Agroecologia, e nós, as pessoas, conseguimos de maneira potente influenciar desde a nossa realidade pessoal, à realidade familiar, ao bairro, município, impactando então de forma mais expressiva a realidade fluminense, e brasileira.

Seguimos esperançando em 2021 por horizontes muito melhores hoje. Confiantes que esse futuro começa a ser semeado agora!

GT de Comunicação da AARJ

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Publicado em 28/04/2021 por em Uncategorized.

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